Não Til..... Isso é uma grande mentira.... Nós morremos com a tristeza que o mundo nos ensina. Minha visão de mundo hoje, é profundamente pessimista...
Sei sim que era madeirense! O que é regional nem sempre é bom e nem preciso de te dar exemplos;) Se falarmos de ti não tenho dúvidas* Beijos aqui do norte:))))
Til, lembrei-me desta Obra de Herberto Helder, bastante interessante! :)
A MENSTRUAÇÃO QUANDO NA CIDADE PASSAVA
A menstruação quando na cidade passava o ar. As raparigas respirando, comendo figos - e a menstruação quando na cidade corria o tempo pelo ar. Eram cravos na neve. As raparigas riam, gritavam - e as figueiras soprando de dentro os figos, com seus pulmões de esponja branca. E as raparigas comiam cravos pelo ar. E elas riam na neve e gritavam: era o tempo da menstruação.
As maçãs resvalavam na casa. Alguém falava: neve. A noite vinha partir a cabeça das estátuas, e as maçãs resvalavam no telhado - alguém falava: sangue. Na casa, elas riam - e a menstruação corria pelas cavernas brancas das esponjas, e partiam-se as cabeças das estátuas. Cravos - era alguém que falava assim. E as raparigas respirando, comendo figos na neve. Alguém falava: maçãs. E era o tempo. O sangue escorria dos pescoços de granito, a criança abatia a boca negra sobre a neve nos figos - e elas gritavam na sombra da casa. Alguém falava: sangue, tempo.
As figueiras sopravam no ar que corria, as máquinas amavam. E um peixe percorrendo, como uma antiga palavra sensível, a página desse amor. E alguém falava: é a neve. As raparigas riam dentro da menstruação, comendo neve. As cabeças das estátuas estavam cheias de cravos, e as crianças abatiam a boca negra sobre os gritos. A noite vinha pelo ar, na sombra resvalavam as maçãs. E era o tempo.
E elas riam no ar, comendo a noite, alimentando-se de figos e de neve. E alguém falava: crianças. E a menstruação escorria em silêncio - na noite, na neve - espremida das esponjas brancas, lá na noite das raparigas que riam na sombra da casa, resvalando, comendo cravos. E alguém falava: é um peixe percorrendo a página de um amor antigo. E as raparigas gritavam.
As vacas então espreitando, e nos focinhos consumia-se o lume em silêncio. Pelas janelas os violinos passavam pelo ar. E a menstruação nas raparigas escorria pela sombra, e elas gritavam e comiam areia. Alguém falava: fogo. E as vacas passavam pelos violinos. E as janelas em silêncio escorriam o seu fogo. E as admiráveis raparigas cantavam a sua canção, como uma palavra antiga escorrendo numa página pela neve, coroada de figos. E no fogo as crianças eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se apenas de figos e de areia. E pelo tempo fora, riam - e a neve cobria a sua página de tempo, e as vacas resvalavam na sombra. Em silêncio o seu lume escorria das esponjas. Partiam-se as cabeças dos violinos. As raparigas, cantando as suas crianças, comiam figos. A noite comia areia. E eram cravos nas cavernas brancas. Menstruação - falava alguém. O ar passava - e pela noite, em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
Herberto Helder, A Máquina Lírica, in Ou O Poema Contínuo, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004
Não Til..... Isso é uma grande mentira....
ResponderEliminarNós morremos com a tristeza que o mundo nos ensina. Minha visão de mundo hoje, é profundamente pessimista...
Ui que no Brasil está a chover :(
EliminarAs vezes gostava de entender-te...
ResponderEliminar;)))
kiss kiss Til
Como assim?Não me entendes?
EliminarE depois há os que morrem para nós...
ResponderEliminarEu também...
ResponderEliminarBeijo.
E era madeirense. O que é regional é bom, tens dúvidas?
ResponderEliminarKis:>}
Sei sim que era madeirense!
EliminarO que é regional nem sempre é bom e nem preciso de te dar exemplos;)
Se falarmos de ti não tenho dúvidas*
Beijos aqui do norte:))))
Grande perda...
ResponderEliminarTil, lembrei-me desta Obra de Herberto Helder, bastante interessante! :)
ResponderEliminarA MENSTRUAÇÃO QUANDO NA CIDADE PASSAVA
A menstruação quando na cidade passava
o ar. As raparigas respirando,
comendo figos - e a menstruação quando na cidade
corria o tempo pelo ar.
Eram cravos na neve. As raparigas
riam, gritavam - e as figueiras soprando de dentro
os figos, com seus pulmões de esponja
branca. E as raparigas
comiam cravos pelo ar.
E elas riam na neve e gritavam: era
o tempo da menstruação.
As maçãs resvalavam na casa.
Alguém falava: neve. A noite vinha
partir a cabeça das estátuas, e as maçãs
resvalavam no telhado - alguém
falava: sangue.
Na casa, elas riam - e a menstruação
corria pelas cavernas brancas das esponjas,
e partiam-se as cabeças das estátuas.
Cravos - era alguém que falava assim.
E as raparigas respirando, comendo
figos na neve.
Alguém falava: maçãs. E era o tempo.
O sangue escorria dos pescoços de granito,
a criança abatia a boca negra
sobre a neve nos figos - e elas gritavam
na sombra da casa.
Alguém falava: sangue, tempo.
As figueiras sopravam no ar que
corria, as máquinas amavam. E um peixe
percorrendo, como uma antiga palavra
sensível, a página desse amor.
E alguém falava: é a neve.
As raparigas riam dentro da menstruação,
comendo neve. As cabeças das
estátuas estavam cheias de cravos,
e as crianças abatiam a boca negra sobre
os gritos. A noite vinha pelo ar,
na sombra resvalavam as maçãs.
E era o tempo.
E elas riam no ar, comendo
a noite,
alimentando-se de figos e de neve.
E alguém falava: crianças.
E a menstruação escorria em silêncio -
na noite, na neve -
espremida das esponjas brancas, lá na noite
das raparigas
que riam na sombra da casa, resvalando,
comendo cravos. E alguém falava:
é um peixe percorrendo a página de um amor
antigo. E as raparigas
gritavam.
As vacas então espreitando,
e nos focinhos consumia-se o lume em silêncio.
Pelas janelas os violinos
passavam pelo ar. E a menstruação nas raparigas
escorria pela sombra, e elas
gritavam e comiam areia. Alguém falava:
fogo. E as vacas passavam pelos violinos.
E as janelas em silêncio escorriam
o seu fogo. E as admiráveis
raparigas cantavam a sua canção, como
uma palavra antiga escorrendo
numa página pela neve,
coroada de figos. E no fogo as crianças
eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se apenas de figos e de areia.
E pelo tempo fora,
riam - e a neve cobria a sua página de tempo,
e as vacas resvalavam na sombra.
Em silêncio o seu lume escorria das esponjas.
Partiam-se as cabeças dos violinos.
As raparigas, cantando as suas crianças,
comiam figos.
A noite comia areia.
E eram cravos nas cavernas brancas.
Menstruação - falava alguém. O ar passava -
e pela noite, em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
Herberto Helder, A Máquina Lírica, in Ou O Poema Contínuo, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004
(...) Corpo e alma e bilhas de gás na eternidade (...)
ResponderEliminarHH
Podes ver aqui http://www.highsnobiety.com/2014/06/12/j-crew-new-balance-998-independence-day/ ;)) são uns ténis, super confortáveis.
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